Problogmas de Xadrez

Blog de notícias do "xadrez arte", por Leo Mano.

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

30.06.08

138. Soluções dos proofgames

categorias: Problemismo, Opinião

Aqui estão as soluções dos 8 proofgames (provas de partida) colocados no post 137.

a) 1.f3 e5 2.Rf2 Dh4+ 3.Re3 Dd4#
b) 1.d4 e5 2.Rd2 Dg5+ 3.Rc3 exd4+ 4.Rb3 Db5#
c) 1.d4 c6 2.Rd2 Da5+ 3.Rd3 Da3+ 4.Rc4 b5#
d) 1.e3 e6 2.Dg4 Re7 3.Ce2 Rf6 4.Dxg7+ Rf5 5.Cg3#
e) 1.d4 e5 2.Dd3 Re7 3.Bg5+ Re6 4.Be7 e4 5.Dxe4#
f) 1.g4 h5 2.Bg2 hxg4 3.Bxb7 Txh2 4.Ch3 Bxb7 5.O-O Th1#
g) 1.c3 d5 2.Dc2 Bh3 3.Cxh3 Rd7 4.Cf4 Rd6 5.Dg6+ Re5 6.Cd3#
h) 1.h4 d5 2.h5 Cd7 3.h6 Cdf6 4.hxg7 Rd7 5.Th6 Ce8 6.gxf8=C#

Curiosamente, a partida "f" tem uma interessante tentativa de solução digna de registro: 1.g4 h5 2.gxh5 Txh5 3.Bh3 Txh3 4.Cf3 Txh2 5.Ce5/Cd4 Txh1#. Mesmo o lance de mate sendo uma captura, é uma pena que o último lance branco não seja único! Mas ainda existem outras possibilidades para o desafio "f". Uma delas foi apresentada pelo Stelling nos comentários do post 137.

O Stelling também observou que o desafio "g" tem mais de uma solução na forma em que foi proposto. A apresentação correta daquele proofgame exige a apresentação do diagrama com a posição final da partida conforme demonstrado abaixo:



Posição após o 6° lance. Reconstrua a partida.



Agora sim, a resposta é única (mas sem maiores dificuldades na solução).



Com relação aos comentários do Antonio Longevini, infelizmente não tenho dados com relação à autoria dos problemas. É possível que alguns desses desafios tenham sido gerados por computador. Alguns softwares são especializados em encontrar a sequência de lances mais curta para atingir determinados objetivos. Por exemplo, a partida mais curta com mate na oitava fileira, mate mais curto com cavalo, mate mais curto com peça promovida, etc.

Utilizando a força bruta, os programas encontram todas as soluções possíveis e, por vezes, a solução é única tornando-se, assim, um proofgame de especial valor.



Mudando de assunto radicalmente, algo inesperado aconteceu em junho: Salvo um erro no contador de visitas do provedor Terra, Problogmas teve 10.500 (dez mil e quinhentas) visitações nestes 30 dias. Um record absoluto. Não encontrei nada que justificasse tal desempenho.

O record anterior era de 6.000 visitas (em janeiro/2007) quando o Terra colocou Problogmas entre os destaques em seu portal de blogs. Foram 60 dias de projeção e muitas visitações.

Mas agora... não tenho explicações (exceto alguma falha no contador). A média de visitações deste blog está na faixa de 3000 por mês e vinha se mantendo assim há vários meses. 100 visitantes por dia é um número bastante simpático. Para chegar nos 300 visitantes/dias (como sugere a estatística de junho), só posso imaginar um "complô" internacional ou uma revolução estudantil (face à onda de xadrez nas escolas que o Brasil vive). Uma pena o meu provedor não oferecer informações mais detalhadas.



Dica: Dê uma olhada no interessante site MathPuzzle que, além de problemas de xadrez, tem desafios lógicos, matemáticos, curiosidades e muito mais.



Lembrete: Hoje é o último dia para o envio das soluções dos problemas da fase classificatória do CBS. Ainda dá tempo de resolver os problemas que ficaram pendentes. Mãos à obra!

25.06.08

137. Notação econômica

categorias: Problemismo


Roma (da comunidade "Xadrez" do Orkut) vence mais uma...



Visitando clubes de xadrez neste mundão de Deus, certa vez entrei num salão onde havia um senhor que estudava algumas partidas solitariamente. Me aproximei dele mas, com medo de tomar sua atenção, fiquei apenas observando as peças sobre o tabuleiro sem fazer barulho.

Notei que ele estava reproduzindo uma partida manuscrita em uma planilha. Não resisti à curiosidade e me aproximei mais um pouco para ler como a partida chegou naquela posição. Foi quando percebi algo diferente. A planilha estava anotada assim:

1.Ruy Lopez
3... a6
4.Ba4 b5
5.Bb3 etc...

Nunca tinha visto alguém anotar uma partida dessa maneira. Quando aquele senhor pareceu dar uma pausa em seus estudos, aproveitei a chance e comentei sobre aquela maneira original de anotar. Ele me respondeu muito alegremente...

"Tenho pouco tempo a perder! Quando copio as partidas, uso o nome das eberturas e, assim, consigo economizar 10 lances inteiros e as vezes até mais! Todo mundo sabe, por exemplo, que a Ruy Lopez começa com 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5. Então, pra que anotar tudo isso? Aposto que o amigo aí nunca teve essa idéia!"

"Pra ser sincero", respondi, "também uso este método, só que numa forma ainda mais econômica. Talvez o senhor queira ver as 8 partidas que anotei aqui neste canhoto de cheque"...

a) 3...Dd4#
b) 4...Db5#
c) 4...b5#
d) 5.Cg3#
e) 5.Dxe4#
f) 5...Th1#
g) 6.Cd3#
h) 6.gxf8=C#

O velho espremeu os olhos para enxergar as anotações e ficou sem entender:

- Mas... quais foram as aberturas?

- Eis a diferença! - respondi - É desnecessário saber quais foram as aberturas. Basta saber o último lance para poder reproduzir perfeitamente a partida inteira! Quer tentar?



Colocarei as soluções futuramente nos comentários deste post (se ninguém fizer isso antes de mim).

Obs: As oito partidas terminaram em mate. O símbolo "x" (que aparece na anotação de alguns lances) significa que houve captura. As reticências (...) aparecem em substituição ao lance branco, ou seja, o último lance anotado foi das negras.

16.06.08

136. Solucionando contra o tempo

categorias: Opinião


Relógio fabricado por "Fattorini & Sons" (1890)



No sábado passado, em casa, imprimi os problemas da fase classificatória do XVII-CBS (no qual estou competindo) e simulei uma final ao vivo cronometrada. Foi meu primeiro contato com os diagramas.

Vou evitar comentar os problemas para não influenciar os demais participantes, mesmo porque ainda não sei qual foi meu rendimento nesta simulação. Mas acho que não há problema em sugerir o cronograma que preparei para mim mesmo.



Primeiramente, escolhi um momento que pudesse me dedicar 3h sem interrupções com o objetivo de simular as condições da final ao vivo. Com os diagramas impressos me pus a trabalhar com dois tabuleiros: um de tamanho normal (que uso para jogar) e outro de tamanho pequeno. Este é o material que disponho mas, se você tiver mais jogos (e espaço), poderão ser úteis.

A simulação lhe permite experimentar o cansaço e a tensão de solucionar contra o relógio. A administração do tempo é fundamental no solucionismo de competição.

Como já havia sugerido no post 133, recomendo que o solucionista comece pelos mates em 2 e finais artísticos (nesta ordem) em função do potencial de pontos que um solucionista médio pode obter alí. Solucionistas experientes poderão perder entre 20 e 40 minutos dos quatro mates em 2 lances. Os dois finais poderão consumir entre 15 e 30 minutos e ainda restarão cerca de 2h para os outros 6 problemas.

Este mesmo set de problemas capaz de roubar 1h de um solucionista experiente, poderá consumir todas as 3h da seção de um iniciante. Mesmo assim, se ele conseguir 100% de acerto nestes problemas, serão 30 pontos (50% de rendimento) e um excelente resultado.

Se você estiver num dia de sorte, talvez ainda tenha tempo de resolver um mate em 3 ou, pelo menos, algumas frações de pontos na base do "chute" (quando você é guiado pela intuição e não pelo cálculo). Assim você terá mais de 50% de aproveitamento. Um resultado realmente ótimo.

Creio que este é um objetivo concreto para os solucionistas iniciantes que, assim, poderão direcionar seus esforços nesta simulação.



Solucionistas experientes não montam os mates em 2 no tabuleiro: Resolvem no próprio diagrama impresso. Numa seção de 3h, contudo, a montagem da posição no tabuleiro não tem tanto impacto no tempo total. Então, recomendo aos iniciantes que montem as posições no tabuleiro.

Se após 20 minutos você não tiver resolvido um mate em 2, passe ao próximo problema. Eventualmente você terá mais facilidade e, após conseguir solucionar um problema, a confiança e a motivação retornam. O tabuleiro pequeno é útil para preservar a posição de um problema não resolvido na primeira tentativa. Isto evita ficar montando e remontando as mesmas posições durante o tempo da seção.

Finalizada a seção de simulação, guarde sua folha de soluções (que ainda não é a folha de respostas que você enviará ao Coordenador Geral). No futuro, quando você souber as soluções corretas, você poderá avaliar sua performance.



A próxima etapa é a verificação das suas soluções anotadas e a tentativa de solucionar os problemas que você não teve tempo de resolver na simulação. Este deverá ser um trabalho mais cuidadoso e sem a pressão do tempo. Seu objetivo é resolver todos os problemas não importando o tempo que isso leve.

A folha de respostas deverá ser enviada ao Coordenador Geral até o dia 30 de junho. Tente reservar, no mínimo, 10h de solucionismo (além da simulação) ao longo destas duas semanas que restam. Estabeleça uma agenda de estudos e seja disciplinado. Não deixe as soluções para a última hora.

13.06.08

135. Sexta-Feira 13

categorias: Opinião

Eu ia chamar este post de "Eu Robô", homônimo ao livro de Isaac Asimov (mas não do filme com Will Smith, por favor...) que me permitiria mais uma ilustração do conflito "Homem x Máquina" no contexto do nosso xadrez arte. Mas troquei o título por considerar este ainda mais sutil...

Este conflito não se restringe ao xadrez ou aos computadores mas abrange também a própria condição humana diante das máquinas que ele próprio criou. A revolução industrial retratada em "Metrópolis" (Fritz Lang, 1927) é uma caricatura do mundo real e, ao mesmo tempo, um retrato fiel do imaginário coletivo. O próprio "Frankenstein" (Mary Shelley, 1818) é um precursor deste mesmo tema.




As máquinas e os monstros dominarão o mundo?

Quem leu o post anterior, percebeu que existe uma experimentação exclusivamente humana quando se soluciona um problema de xadrez. São as nuances que os computadores não percebem. Aqueles que usarem computadores para solucionar os problemas de xadrez estarão, de fato, renunciando a estas experiências.

Quando transportamos esta questão para dentro de uma competição como o CBS, o fator esportivo é um agravante para o conflito. Injustiças poderão ser cometidas e aqueles que possuem computadores poderão ser beneficiados em relação aos que não tem. Não há como fiscalizar e dependemos da "honestidade" de cada participante.

Isto me parece uma imensa "ratoeira". Um suculento e irresistível pedaço de queijo ao alcance de sua boca mas que representa uma sentença de morte moral para quem o morder. Uma armadilha. Mas não somos ratos! Merecemos tal tratamento?

Esta é a questão fundamental que tento colocar em debate. Até que ponto é legítimo este "teste de moralidade"?

Você compra um carro que vai até 250Km/h mas você se tornará um infrator se utilizar este recurso especificado por um engenheiro, implementado por uma fábrica e aprovado por uma autoridade. Altas velocidades são uma temeridade e também um ótimo argumento de vendas... porque provoca o imaginário das pessoas. Um recurso premeditado e calculado (como um "dedo no olho" da natureza humana). Quem comprar uma Ferrari e jamais ultrapassar o limite de velocidade, estará agindo contra a natureza.



Você encontra na internet uma música ou um filme que você adora e inicia um download com um único clique do mouse, no conforto de sua casa e em seu próprio computador e... zaz! Você prejudicou vários artistas que dependiam daquela venda para sobreviver...

O vídeoclipe foi uma invenção dos Beatles. Eles produziram os clipes "Paperback Writer" e "Rain" para serem enviados às TVs (1966) dispensando, assim, inúmeras e cansativas viagens. Era a evolução tecnológica inventando e alavancando a indústria fonográfica transformando completamente o relacionamento entre os artistas e o público. Isso continuou crescendo por décadas, fabricando mega-fortunas e nenhum artista foi taxado de criminoso (mesmo nos casos onde o "artista" era uma invenção da própria indústria fonográfica).

A tecnologia não parou de evoluir e agora atingiu um ponto de virada onde o beneficiado passou a ser o consumidor que, segundo a indústria fonográfica, é um "pirata bandido" em potencial!



Você "fura" um semáforo numa rua deserta (e sinistra) as 3h da manhã e... click! Sorria, você foi fotografado e multado. As "ratoeiras" estão se espalhando rapidamente a tal ponto que se torna difícil não ter o focinho esmagado.

Mas nos dias atuais, onde as máquinas copiam as virtudes humanas e os homens copiam o que há de pior nas máquinas, ser vencido pela natureza é uma falha grave. Máquinas não se deixam vencer pela natureza. Elas dizem "sim" ou dizem "não". São imperturbáveis e binárias. Mas se uma pessoa não tem opinião formada, ou se tem convicção de que pode ser "sim" e "não" ao mesmo tempo, ou "sim" hoje e "não" amanhã, ela deixa de ter credibilidade.



Por não querer perder meus próprios bigodes, me recuso a fabricar ratoeiras. Por isso tenho uma visão muito particular do uso de computadores em fases postais. Não quero abrir mão da experiência de solucionar um problema de xadrez e também não quero abrir mão de me aperfeiçoar na arte utilizando esta ferramenta maligna e eficiente.

Com relação às fases postais, vejo duas alternativas: Ou as eliminamos ou as preservamos. Se eliminamos as fases postais, terminamos também com uma ótima fonte de treinamento e divertimento para muitas pessoas. Se preservamos as fases postais, não podemos transforma-la numa ratoeira moral, ou seja, teremos de encarar com naturalidade o fato dos computadores existirem em pleno século XXI.

Infelizmente, hoje não existe uma fórmula ideal de competição postal imune a injustiças. Mesmo assim, defendo a segunda opção por não me conformar com a primeira.

Bem... para uma sexta-feira 13, acho que já foi o suficiente! Computadores não tem superstição mas, mesmo assim, lembrem-se de fazer backup periodicamente.

10.06.08

134. Carbono x Silício

Foram enviados os problemas da fase classificatória para 66 inscritos na competição (um record em mais de 40 anos desde os CBS's dos anos 60 e 70 que atraíam centenas de solucionistas motivados pela coluna do José Thiago Mangini no jornal "O Globo"). Ainda podem haver inscrições em trânsito nos correios.

Por enquanto, foram registradas a participação de 14 estados além do Distrito Federal: SP(18), RJ(9), PR(6), PE(5), MG(5), BA(3), RS(3), MS(3), GO(2), AL(2), SE(2), DF(1), SC(1), CE(1), TO(1). Alguns participantes ainda não informaram sua cidade.

Os competidores deverão preencher a folha de respostas (enviada aos participantes e também disponível na página do CBS) e envia-la ao Coordenador Geral, Marcos Roland, até o dia 30/jun/2008.



Uma pergunta que tenho recebido com frequência (por email e pessoalmente nos clubes), diz respeito ao uso de computadores na fase postal do CBS.

Minha opinião sobre o assunto é muito particular (e está longe de ser um concenso) mas não é segredo para ninguém: Já escrevi sobre o tema no post 24 e não vou me repetir aqui. Meus pensamentos desde lá mudaram muito pouco exceto, talvez, sobre a opinião de que o CBS não devesse ter fase postal. Hoje acredito que a fase postal no CBS é sim muito importante.

Primeiramente, o formato do CBS mudou desde então. Não só o set de problemas é mais abrangente mas também o critério de pontuação mudou drasticamente. Tudo isso acompanhando os padrões internacionais das competições de solucionismo.

Quem utilizar apenas o computador para resolver os problemas, provavelmente não fará 100% dos pontos. Isto pode acontecer, por exemplo, nos finais artísticos onde a variante principal deverá contemplar todos os recursos táticos disponíveis para ambos os bandos. O computador não sabe o que é tática e indica apenas a sequência de lances que possuem mais centipawns em direção ao melhor resultado possível. Isso vai ser fácil de entender com um exemplo prático:

Ernest Pogosyants
Armenian Central Chess Club Ty, 1967
Brancas jogam e ganham


Clique sobre o diagrama para abrir um tabuleiro de análise.

A solução do computador atende ao enunciado: 1.Bc6+ g2 2.Bxg2+ Rg1 3.Bd4+ Tf2 4.Bxf2+ Rxf2 5.f7 Te3+ 6.Rh2 Re2 7.f8=D +- mas não contempla um importante recurso tático que aparece na variante principal indicada pelo autor.

A variante principal, ao longo da qual são distribuidos os pontos do problema, é 1.Bc6+ (1) g2 2.Bxg2+ (0,5) Rg1 3.Bd4+ (0,5) Rf2 4.Bxf2+ (0,5) Rxf2 5.f7 (0,5) Te3+ 6.Rh2 (1) (6.Rh4 Rxg2 7.f8=D Th3+ 8.Rg4 Tg3+ =) Te8 7.fxe8=C +- (1). Entre parênteses são indicados os pontos conquistados até aquela altura da variante.

Ambas as soluções (a do computador e a do autor) são idênticas até o 6º lance branco e depois divergem. O computador marcou 4 pontos num problema que valia 5. Porque isso aconteceu?

Posição após 6.Rh2. O computador joga 6...Re2? e a variante principal pede 6...Te8!!

A armadilha escondida por trás de 6...Te8 7.fxe8=D/T? (pate!) só faz sentido para as unidades de carbono (nós, compostos orgânicos). Um truque sob medida para explorar as fraquezas humanas motivadas pela "lei do menor esforço" (quando utilizamos uma "regra geral" nas situações que nos parecem comuns ao invés de analisa-las detalhadamente como faríamos numa situação inédita).

Neste caso, a "regra geral" nos impele a capturar a torre promovendo o peão à dama. Isso funciona em 99% dos casos e não há porquê imaginar que aqui seja diferente. Mas o solucionista experiente vai contra a natureza e não se deixa levar pelo caminho mais fácil...

Já os exemplares de silício não primam pela economia de esforço. A "força bruta" é o seu lema e cada situação é analisada como se fosse única. Neste caso, 6...Te8 é um mero lance fraco, uma terrível capivarada (por resultar na perda de vários centipawns), um erro desprovido de qualquer contexto.

Felizmente, estas nuances ainda nos distinguem dos computadores. Repare que esta limitação das máquinas não tem relação com seu poder computacional. Elas podem resolver problemas dificílimos mas, nesta brincadeira mais sutil entre autor e solucionista, no jogo de armadilhas e esquivas, na arte do paradoxo e da beleza, a máquina está muito longe de poder participar.