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Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898)
O reverendo Charles Lutwidge Dodgson, ou Lewis Carroll (como era conhecido o escritor Inglês), foi mundialmente aclamado depois que publicou o livro "Alice no País das Maravilhas" (1865). Basicamente, seu livro foi "classificado" como sendo direcionado para o público infanto-juvenil.
De fato, a ambientação e os personagens parecem nos remeter ao mundo dos sonhos de uma criança mas, nem por isso, o texto está desprovido de questionamentos lógicos, matemáticos, psicológicos, políticos e outras tantas sutilezas. Estas características permaneceram em outro livro chamado "Alice no País dos Espelhos" (1872), que é uma sequência da obra-prima anterior.
O nonsense, os paradoxos e o aparente caos dos acontecimentos refletem, na verdade, uma engenharia premeditada e calculada nos menores detalhes por um autor que também era matemático, fotógrafo e aficionado dos jogos de cartas e xadrez.
No País dos Espelhos, Alice assume a identidade de um peão branco e recebe a missão de se tornar Rainha. Durante a aventura, os personagens mais bizarros são encontrados. Inicialmente, Lewis Carroll havia criado um personagem para cada peça do jogo de xadrez mas, ao que parece, a história se tornou confusa e sofreu um "enxugamento" nas edições posteriores.
"O País dos Espelhos é um sonho de Alice? Ou Alice é um sonho do Rei Branco?" Este tipo de questionamento relativístico pode ter desdobramentos difíceis...
Peão branco (Alice) joga e ganha em 11 lances.
Infelizmente, a edição que possuo não contempla um diagrama criado pelo próprio autor que servia para "contar" a história sobre as 64 casas. Tive de busca-lo na internet.
A solução do autor não tem maiores compromissos com os formalismos das composições artísticas. Nem sequer a alternância de movimentos é respeitada. É apenas uma alegoria da própria história: 1) Alice encontra a Rainha Vermelha; 2)e2-h5; 3) Alice avança pela 3ª e 4ª casas (Tweedledum e Tweedledee); 5) d2-d4; 6) c1-c4; 7) Alice encontra a Rainha Branca com xale; 8) c4-c5 (se transforma em ovelha); 9) d4-d5 (loja e rio); 10) c5-f8 (ovo na prateleira); 11) d5-d6 (Humpty Dumpty); 16) f8-c8 (vôo do Cavaleiro Vermelho); 17) d6-d7 (floresta); 18) g8-e7+; 19) f5xe7; 20) e7-f5; 21) d7-d8 (Alice recebe a coroa de Rainha); 22) h5-e8 (Exame de Alice); 23) Alice se torna Rainha; 24) Alice no castelo (festa); 25) c8xa6 (sopa); 26) d8xe8 (Alice vence).
Contudo, para minha surpresa, descobri que existe uma série de mitos envolvendo numerologia e mensagens subliminares em torno dos livros de Lewis Carroll. No diagrama acima, por exemplo, podemos encontrar as iniciais "LC" ocultas entre as peças (L=c5+e4+f5, C=c1+d2+e2+f1). A fixação do autor pelo número 42 (que, aparentemente, existia de fato), se revela na posição inicial de Alice no tabuleiro (4ª coluna, 2ª fileira).
Alice Liddell (foto: Charles Dodgson)
Mas os mitos não param por aí e vão muito além. O relacionamento entre o autor (descrito como um solteirão tímido) e Alice Liddell (uma menina de 7 anos que foi sua modelo em várias sessões fotográficas) suscitou as mais variadas teorias sócio-comportamentais que variavam desde o ingênuo/paternal até o malicioso/destrutivo (passando por todos os tabus que o tema inspira). Senão, vejamos:
O livro descreve um duelo entre os cavaleiros branco e vermelho que representaria uma disputa pela própria Alice. O diagrama reproduz esta batalha nos lances 18.Ce7+ 19.Cxe7. O cavaleiro branco (vencedor) seria o próprio Carroll!
Avançando ainda mais no mundo dos símbolos, a indicação de xeque, que era feita por uma cruz (†) nos livros da época, também poderia representar o matrimônio e o branco do cavalo vencedor representaria a pureza em substituição à paixão e à luxúria (cavaleiro vermelho).
Assim como "Código da Vinci", "Matrix" e "2001-Uma Odisséia no Espaço", quilos de "mensagens" foram pinçadas de "Alice no País dos Espelhos". Comunidades foram criadas para este fim e outros tantos se aventuraram isoladamente.

Christophe Leroy (mestre francês) demonstra a história de Alice para Karpov.
Entre os "estudiosos" deste livro, podemos citar o mestre francês Christophe Leroy que chegou à conclusão de que cada personagem do livro é, na verdade, inspirado no mundo real. O Rei e Rainha brancos seriam os pais de Alice Liddell e a Rainha Vermelha seria a própria Rainha Vitória!
Tudo isso é muito interessante mas, antes de se deixar levar pelo mundo da fantasia, lembrem-se de que esta era a especialidade de Carroll! Seus textos foram deliberadamente escritos para isso. Por outro lado, nenhum escrito em seu diário, cartas (centenas delas) ou artigos, transparece qualquer intenção de envolvimento com Alice Liddell.
Já a fantasia proposta por Lewis Carroll é tão atraente que nos fica impossível perceber, por exemplo, que seu diagrama é, na verdade, um "mate direto em 3 lances" (nenhum artigo revela esta singeleza!) com todos os elementos básicos exigidos de uma composição artística: Solução única (1.Cg3+ Re5 [1...Rd4/Rd3 2.Dc3#] 2.Dc5+ Re6 3.Dd6#) e apenas peças essenciais aparecem no diagrama. Se tirar-mos o Cg8, por exemplo, o problema ganha uma solução alternativa (1.Cd6+ Re5 2.Dc3+/Db2+/Da1+ Re6 3.Df6#) destruindo-o por completo.
Este "mate em 3", por si só, não tem maiores atrativos mas é o perfeito contraponto na parceria entre a fantasia e a realidade que permeia todo o livro.
Mas eu não poderia terminar sem falar do "tema Excelsior" que, no problemismo, pede que um peão (que deve aparecer no diagrama em sua casa original) promova ao longo da solução. Exatamente como fez Alice no País dos Espelhos!
Sam Loyd
London Era, 1861
Brancas jogam e dão mate em 5 com a mais improvável peça ou peão.
Reza a lenda que Sam Loyd (genial compositor americano de problemas de xadrez) compôs o problema ao lado depois de ser desafiado por um amigo, Denis Julien, que disse ser capaz de "sempre dizer qual peça dará mate na linha principal de um problema de xadrez".
Loyd, então, mostrou-lhe a posição e lhe fez o seguinte desafio: "Você não precisa me dizer qual peça branca dará mate. Basta me apontar uma peça branca que NÃO dará o mate!" e apostaram um jantar. O amigo apontou para a peça que ele considerou ser a mais improvável de todas: O distante peão em b2. Obviamente, o amigo perdeu a aposta!
Motivado pelo hábito de dar nomes aos problemas, Sam batizou este de "Excelsior" inspirado por um poema de 1841 escrito por Henry Wadsworth Longfellow. O nome acabou batizando também o próprio tema brilhantemente construído nesta composição. Solução no post 91.

criado por Problemas de Xadrez
15:36:49Durante o 51° Congresso Mundial de Composições de Xadrez (WCCC-2008) em Jurmala, foi realizado o I Torneio Cachaça seguindo a tradição de torneios extra-oficiais onde a premiação é feita com bebidas típicas de cada país.

A premiação dos torneios de composição. Taças são desnecessárias...
Resumidamente, o tema do torneio tinha a seguinte especificação:
"Num Mate Ajudado em 2 lances, uma peça preta temática (Pc) e uma casa temática (Sq) se relacionam de maneira que: a) Em uma solução, (Pc) move para (Sq); b) Em outra solução, (Pc) é impossibilitada de mover para (Sq), caso contrário, o mate não ocorre. O impedimento pode ser causado pelas negras (interferência, pregadura, movimento da peça, etc) ou pelas brancas (captura de (Pc), interferência, pregadura, etc)". Não foram aceitas peças ou condições feéricas e nem "zeroposition".
1° Prêmio
Michel Dragoun (República Tcheca)
h#2 (4 soluções)
1.Dc7+ bxc7 2.Rf5 De6#
1.Tc6 bxc6 2.Re3 Dd3#
1.Txb5 Dxb5 2.Ce6 Df5#
1.Bxb6 Dxb6 2.Cd3 De3#
Quatro soluções (2-2) com ótimo interrelacionamento e harmonia no jogo branco e preto sem geminação. Quatro diferentes sacrifícios ativos de peças negras. Uma ótima e complexa apresentação do tema por meio de um par de pregaduras sobre o Cf4 e um par de interferências do mesmo cavalo negro nas linhas da Tc3 e Dc8, que são as peças negras sacrificadas nas outras duas soluções.
2° Prêmio
Thomas Maeder (suiça) & Hans Peter Rehm (Alemanha) & Kjell Widlert (Suécia)
h#2
a) Diagrama; b) Be3->e5
a) 1.Tc5 Bxc5+ 2.dxc5 Cc6#
b) 1.Dc6+ Cxc6+ 2.dxc6 Bc5#
Ótimo interrelacionamento: Sacrifícios bicolores ativos para explorar a semi-pregadura negra, resultando em auto-interferências negras. Zilahi e inversão dos lances brancos. O tema é mostrado de forma perfeita pela Tc7/Pd6 na casa c5 e Dc4/Pd7 na casa c6.
3° Prêmio
Valery Gurov (Rússia)
h#2 (3 soluções)
1.e5 Dxh4 2.Ce7 Dxf6#
1.Ch7 Dc1 2.Cgf6 Dxh6#
1.Be3 De4 2.Ch6 Dxe7#
Liberações cíclicas de casas para os movimentos do Cg8 com interferência negra. A dama branca executa 6 diferentes movimentos.

As Matrioshkas (artesanato típico russo) aqui guardam garrafas de vodka...
1° Menção Honrosa
Borislav Gadanski (Sérvia)
h#2 (3 soluções)
1.Be1 Rxc7 2.d5 Txe1#
1.dxc6 Td7 2.Te5 Txc6#
1.Tc5 Txc5 2.Bd6 Ba2#
Outra apresentação cíclica do tema e também ativos sacrifícios cíclicos das peças temáticas negras e interferências cíclicas. O jogo branco não é tão bom e há um leve desequilíbrio na captura da torre negra porque ela não ocorre no lance de mate.
2° Menção Honrosa
Menachen Witztum (Israel)
h#2 (2 soluções)
1.Cb3 Bf8 2.Ccd4 Te5#
1.Ce4 Te6 2.Bd5 Be3#
Um ótimo jogo negro combinando semi-pregadura, fechamento de linha e bloqueio.
3° Menção Honrosa
Michel Dragoun (República Tcheca)
h#2
a) Diag; b) Ch3->f7; c) Cb6->e8; d) Bbh5
a) 1.Rd4 Te7 2.Td3 Bg7#
b) 1.Re4 Txf7 2.Dd3 Tf4#
c) 1.Be1 Txc4 2.Rd2 Td5#
d) 1.Bd1 Bxe3 2.Rc2 Bg6#
Em (c) e (d), duas peças temáticas negras (dama e torre) são impedidas (captura/pregadura) de jogar na casa temática (d3). Infelizmente a captura também é necessária para que a peça branca (que capturou) guarde casas de fuga do rei negro e um peão poderia substituir a utra peça negra capturada (analisando apenas a solução). Ainda assim um belo e complexo mate ajudado mas com um pobre jogo branco.

Stelling, Roland, Vieira e Mano. A equipe brasileira que promoveu o I Torneio Cachaça. Foto: Andrea Fukumura.
1° Recomendado
Ofer Comay (Israel) & Paz Einat (Israel)
h#2 (2 soluções)
1.Cxe6 Ta3 2.Cg7 Cg2#
1.Cxf4 Tb3 2.Cg2 Cg7#
Duas linhas alternam linhas de pregadura e acionamento de baterias brancas. Fechamento de linha de peças negras por cavalos brancos e negros nas casas g2 e g7.
2° Recomendado
Aleksandr Semenenko (Ucrânia) & Valery Semenenko (Ucrânia)
h#2 a) Diagrama (2 soluções)
b) f3->f5 (2 soluções)
a) 1.Be6 Rg6 2.Dd5 Dh2#
1.Te6 Dg2 2.Tad6 Dxg5#
b) 1.Bd5 Dxb3 2.Bc6 Dbe6#
1.Td6 Dxa6 2.Td5 Dae6#
Duas peças temáticas e uma casa temática numa apresentação não completamente harmônica por causa do movimento do rei branco.
3° Recomendado
Dieter Müller (Alemanha) & Michael Barth (Alemanha)
h#2
a) Diag; b) e6->f4 c) & h2->c2; d) & g2->d4
a) 1.Ce2 Bd2 2.Rf3 Tf4#
b) 1.Ce4+ Re6 2.Rf4 Bd2#
c) 1.Cb1 Bb4 2.Cd2 Bc5#
d) 1.Cxd5 Txc5 2.Cxf4 Te5#
Um único cavalo negro é responsável pelo show negro, com pregaduras e bloqueios para apresentar o tema. Leve desequilíbrio no movimento do rei branco e nas motivações para o cavalo preto não jogar 1.Ce4 na solução (c) e 1.Ce2 na solução (d).
Os laudos foram preparados pela equipe brasileira e aqui se apresentam traduzidos por Leo Mano.

criado por Problemas de Xadrez
10:18:38Não será fácil manter o papo em dia... São muitas novidades e também muitos planos para o futuro próximo. Vamos começar por onde paramos: Jurmala.

Jurmala Spa Hotel sediou o Congresso
Neste ótimo hotel foi realizado o 51° Congresso Mundial do Problemismo (WCCC/2008) que aconteceu entre os dias 30 de agosto e 6 de setembro de 2008.
Foram 32 países representados por compositores, solucionistas e delegados. O Brasil foi o único representante das Américas e o fez de maneira histórica. Pela primeira vez participamos com um time completo de solucionistas (Roberto Stelling, Marcos Roland e Leo Mano) e um compositor (Ricardo de Mattos Vieira).

Stelling, Vieira, Mano e Roland. Foto de Andrea Fukumura.
A participação brasileira teve dois aspectos principais: competitivo e diplomático. Nas competições o Brasil participou das provas de solucionismo e composição tendo especial brilho nas provas de composição.
h#2 (2 soluções)
1°/2° MH, Quick Composing
WCCC-2008
Leo Mano & Marcos Roland & Ricardo de Mattos Vieira & Roberto Stelling
Logo no primeiro dia de congresso, o time se reuniu para a prova de "Composição Rápida" para produzir (no prazo de 3 horas) um Mate Ajudado em 2 lances cujo tema pedia despregadura de peça negra. Utilizando uma estrutura proposta pelo Ricardo, testamos algumas configurações e alcançamos uma posição satisfatória quando o tempo regulamentar já estava prestes a terminar. A obra recebeu 1°/2° Menção Honrosa.

Mano, Vieira e Stelling recebem a Menção Honrosa. Marcos Roland também participou da composição mas não estava presente no momento da premiação (divulgada apenas momentos antes da premiação durante o banquete de encerramento).
hs#3 Isardam (2 soluções)
3° Pr, Romanian Tzuica Tourney 2008
Ricardo de Mattos Vieira
Nos tradicionais torneios extra-oficiais, cujos prêmios são bebidas típicas de cada país, Ricardo Vieira ainda faturou o 3° Prêmio no torneio Romanian Tzuica (onde foi agraciado com uma garrafa da bebida típica romena).
Talvez você ache estranho o rei branco estar "de cara" com a dama negra no diagrama acima. Mas o fato é que o rei branco não está em xeque! Nas regras do Isardam não é permitido que peças análogas se ataquem. Por exemplo, se a dama negra se mover deixará ou as torres de e1 e e7 se atacando mutuamente ou os bispos de c2 e h7. Isto significa que a dama negra está imobilizada e, portanto, não está atacando o rei branco. A estipulação "hs#3" significa help-selfmate em 3 lances, ou seja, um "inverso ajudado".
h#2 a) Diagrama; b) Pe5<->Cf5
2° Pr, Moskovskaya Matreshka Tourney 2008
Ricardo de Mattos Vieira
Ricardo Vieira também faturou um 2° Prêmio no torneio Moskovskaya Matreshka (ganhando uma vodka embalada numa bela matrioshka - do artesanato típico russo). Ambos os trabalhos foram compostos para o congresso.

Ricardo (dos mais aplaudidos durante as premiações) recebe seu prêmio da dupla romena Vlaicu Crisam e Éric Huber.
Por sua vez, o Brasil promoveu o I Torneio Cachaça de Composição que distribuiu 3 garrafas e uma camisa (com uma receita de Caipirinha) aos melhores colocados: O Tcheco Michel Dragoun recebeu o 1° Prêmio. Em 2° ficou o time formado pelo alemão Hans Peter Rehm, o suiço Thomas Maeder e o sueco Kjell Widlert. O 3° prêmio ficou para o russo Valery Gurov. Diagramas no próximo post.

Michel Dragoun, Leo Mano, Kjell Widlert, Hans Peter Rehm, Thomas Maeder, Valery Gurov, Roberto Stelling, Marcos Roland e Ricardo Vieira na entrega dos prêmios do I Torneio Cachaça de Composição. Foto de Andrea Fukumura.
No Mundial de Solucionismo a equipe mostrou evolução em relação ao ano anterior (Grécia) ocupando o 22° lugar entre 24 equipes mas, desta vez, pontuou muito próximo de outros países mais tradicionais (Letônia, Grécia, Bélgica e Geórgia) ficando a menos de 5 pontos de distância (equivalente a um mate direto em 2 lances, por exemplo) destes times.
Roberto Stelling teve a melhor performance individual ficando 1 ponto aquém do necessário para obtenção da norma de Mestre FIDE (que seria sua segunda e definitiva). Para se ter uma idéia do quão pouco é isso, basta saber que um único problema vale 5 pontos (Stelling fez 72,5 de 90 possíveis).
Marcos Roland teve um ótimo rendimento tanto no Open quanto no Mundial. Foram seus melhores torneios nos últimos anos e deixou claro que ainda tem espaço para melhorar mais. Basta ter tempo para treinar.
Minha performance foi aquém do esperado e, principalmente, do desejado. Felizmente recebi sempre palavras de ânimo da equipe e o argumento de ser minha estréia em torneios com o formato do Mundial (dividido em 6 seções cronometradas ao longo de 2 dias).
Todos os resultados do mundial podem ser vistos no site do PCCC.
Muitas fotos de Jurmala foram disponibilizadas por Roberto Stelling em seu álbum virtual.
Além das competições, a presença brasileira nos congressos da Grécia (2007) e Jurmala (2008) teve um forte impacto no relacionamento entre os problemistas de cima e de baixo do equador.

Roberto Stelling foi o delegado brasileiro no Congresso
Em primeiro lugar, deixamos claro o nosso desejo de participar ativamente no cenário internacional do problemismo. Conseguimos passar nosso entusiasmo que contaminou os demais países que retribuiram com respeito e confiança em nosso empenho.
Aliás, empenho e trabalho sempre pautado em muita atitude e pouco papo, mas... quando o "papo" é necessário, não há melhor escola que a brasileira! Foi assim que conquistamos o direito de organizar o próximo Congresso Mundial no Rio de Janeiro!
A votação que decidiu o local do próximo congresso foi quase unânime. Dos quase 30 delegados presentes, houve apenas 1 voto contra e 4 abstenções. A realização do próximo congresso no Brasil termina com uma tradição de meio século que sempre optou por congressos na Europa/Ásia.
Uma imensa responsabilidade mas também uma imensa conquista que beneficiará não apenas os brasileiros mas também dezenas de problemistas da América do Sul.

criado por Problemas de Xadrez
14:53:03
Na final do CBS-2008, o problema VII, um direto em 4 lances de Milan Vukcevich (2° Prêmio, "The Problemist", 1971), foi anulado por se mostrar insolúvel na forma em que foi apresentado.
A chave 1.Cg6! ameaça 2.Rf8 e 3.Ce7+ seguido de mate. Mas a defesa 1...Ca4! 2.Rf8 Cxb6 é suficiente para demolir o problema.
#4
N. Vuckevich, 1971
The Problemist, 2nd Prz
Siegfried Hornecker, compositor alemão muito atuante no meio problemístico, escreveu no fórum MatPlus que, na verdade, faltou um peão negro em a4 (devidamente posicionado no diagrama ao lado). Marcos Roland, Coordenador Geral do CBS, ficou surpreso pois reproduziu fielmente o diagrama impresso no livro "Chess by Milan" (MIM Company, Burton, Ohio 1981, pag 79, diagrama 97) do próprio Vukcevich, autor do livro e do problema!
Então foi a vez do Mestre Internacional de Composição, Harry Fougiaxis, se manifestar no mesmo fórum atestando que o livro do Milan é, de fato, muito bom... mas que também apresenta alguns erros de impressão. O problema selecionado para o CBS, infelizmente, era um desses casos.
Todos os problemas selecionados em torneios costumam ser testados em computador e isso também aconteceu no CBS mas, obedecendo a lei de Murphy, o problema VII não foi testado.
Estou treinando forte para o Open e para o Mundial de Jurmala (Letônia) que acontece na primeira semana de Setembro. O Brasil irá participar com um time de quatro pessoas (um record histórico): 3 solucionistas (Roberto Stelling, Marcos Roland e Leo Mano) e um compositor (Ricardo Vieira). Pelo segundo ano consecutivo, Roberto Stelling será o representante oficial da delegação brasileira ocupando a função de "Delegado" junto ao PCCC (Comição Permanente da FIDE para o Problemismo).
Mas é Ricardo Vieira (entre os brasileiros) quem, certamente, tomará a maior parte das atenções dos congressistas: O brasileiro é um compositor super-premiado internacionalmente (além de atuar também como árbitro em competições internacionais) mas é a primeira vez que irá participar num Congresso Mundial. Sua presença em Jurmala poderá lhe render preciosos frutos. A aproximação com o cenário europeu poderá ser fundamental para reverter uma injustiça: Sua pontuação em Álbuns FIDE não reflete a qualidade e consistência de sua produção artística formada por composições de primeira linha.
O Álbum FIDE é uma publicação trienal que reune as melhores composições de todo o mundo selecionadas por uma banca julgadora. Os problemas selecionados são convertidos em pontos para os respectivos autores de cada obra. O acúmulo desses pontos (ao longo dos anos) permite a obtenção dos títulos de Mestre FIDE (FM), Mestre Internacional (IM) e Grande Mestre Internacional de Composição (GM).
O Brasil produziu dois FMs de Composição: Felix Sonnenfeld (1910-1993) e Almiro Zarur. Não tenho dúvidas de que Ricardo Vieira também alcançará este título e, em função de sua juventude, terá todas as condições de alcançar títulos ainda maiores e inéditos para o Brasil.
Por falar em Mestres, estamos em busca de normas no solucionismo também. Roland e Stelling são os mais cotados. No caso do Stelling será a segunda e definiva norma de Mestre FIDE. Uma conquista inédita para o xadrez brasileiro.
Vivian Heinrichs (SC), me mandou dois interessantes desafios: Um eu já resolvi e o outro ainda não... Conto com a ajuda de vocês!
"Quantos bispos brancos de casas pretas são necessários para se dar mate inevitável no diagrama ao lado"?
Este eu já resolvi e colocarei a solução futuramente nos comentários deste post (se ninguém fizer isso antes de mim).
O segundo desafio tem o seguinte enunciado: Construa um diagrama com rei branco, cavalo branco, peão branco, dama preta e rei preto de maneira que...
1) é a vez das pretas jogarem
2) o rei preto não está em cheque
3) o branco está ganho!
Agradecerei imensamente àquele que colocar a solução nos comentários deste post (se eu não fizer isso antes de todos).
Adailton José Chiaradia (MG) publicou um problema em forma de romance. A obra se chama "Mensagem Secreta" e foi publicada no site ChessVille em português e em inglês. Chiaradia é tradutor e escritor além de forte jogador de xadrez. Tive o privilégio de receber várias histórias de sua autoria utilizando o xadrez como pano de fundo. "Mensagem Secreta" descreve a saga de Sherlock Holmes em mais um enigma na carreira deste famoso detetive.
Para terminar... estou decidido a levar o laptop para Jurmala. Isto significa que poderei blogar durante a viajem. Tentarei tirar boas fotos e colocar muitas notícias boas. Conto com a torcida de todos!

criado por Problemas de Xadrez
23:45:07
Confirmado o horário da final ao vivo do CBS-2008. Será as 9h30min da manhã do dia 27 de Julho (domingo) nas dependências oferecidas pela Casa do Xadrez em Belo Horizonte, à Rua Campos Elíseos, 278, Barroca. O telefone de contato em BH é 0xx31 3334-1325.
Na busca por padrões, o solucionista experiente localiza imediatamente duas linhas ofensivas em direção ao rei negro: A primeira linha ocupa a coluna "c" aberta e é formada pela Torre e Bispo brancos como se o Rei negro estivesse sob o "raio-x" da torre branca; A segunda linha está na diagonal c3-g7 e é formada pela Torre e Cavalo negros além do Bispo branco em g7 que também aplica um sutil (porém real) "raio-x" sobre o Rei negro.

criado por Problemas de Xadrez
09:38:15